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Oferta de cursos de mestrado profissional na educação quintuplicou entre 2012 e 2016

A Escola Estadual Ayres de Moura, na zona oeste de São Paulo, substituiu as tradicionais reuniões de pais e mestres por assembleias participativas que têm atraído cada vez mais gente. Em vez das habituais acusações de indisciplina contra os alunos, criou-se um espaço para compartilhar a gestão escolar. A iniciativa partiu do diretor Daniel Quaresma, professor de história da rede pública desde 1988 e no comando da escola há quatro anos. Em 2013, ele assumiu o desafio de organizar a unidade como escola de ensino integral em meio a alunos ociosos e professores sem direcionamento. As assembleias são parte do seu esforço de gestão. “O papel do gestor é fundamental: você acolhe o professor, o aluno, a família, discute a escola e decide verbas. Isso reforça o papel social da comunidade e do aluno”, salienta.

A ideia de procurar uma pós-graduação surgiu também em 2013, quando Quaresma percebeu que podia ir além das diretrizes estaduais no cotidiano escolar. Os programas de mestrado acadêmico não chamavam sua atenção. Aí veio a descoberta do mestrado profissional. Munido de uma bolsa da Secretaria Estadual de Educação, num financiamento atualmente suspenso, ingressou no programa “Educação: Formação de Formadores” da PUC/SP, inaugurado naquele ano. O curso permitiu aprofundar as práticas de gestão escolar, dando ênfase ao diá- logo com a comunidade. Quaresma lembra de uma oficina de teatro que montou durante o programa, com seus mais de 30 colegas. A iniciativa foi fundamental para mostrar-lhe, na prática, como envolver os participantes de reuniões e assembleias nas discussões. A experiência compartilhada entre os colegas, todos vindos do chão de escola, ajudou a introduzir essas práticas durante os dois anos de mestrado profissional. A possibilidade de discutir textos e possíveis soluções na área, conjugada ao viés prático dos programas, é um aspecto positivo destacado por aqueles que cursaram a modalidade.

Outro ponto positivo ressaltado pelos egressos dessa variante do mestrado é o ganho na autonomia em pesquisa para a resolução de problemas práticos. Com Quaresma não foi diferente. O segredo para resolver o problema da indisciplina na escola foi a união entre pesquisa e diálogo. Ele relembra o caso do aluno Eduardo, que mostrou um comportamento bastante violento já em seu segundo dia na escola. Conversando com os pais do garoto, descobriu que o aluno tinha sido diagnosticado com Síndrome de Asperger, uma espécie de autismo. Os pais já haviam tentado matricular o filho em escolas particulares, mas ele não se adaptara a nenhuma delas. O diretor reuniu os professores da escola em uma força-tarefa para conhecer as formas de lidar com esse tipo de aluno e mobilizou toda a escola para acolhê-lo. Meses depois, Eduardo, já não mais violento, chegou a inscrever um projeto de clube juvenil de informática na escola. “Buscamos as ferramentas corretas para trabalhar com esse aluno. A verdadeira pedagogia da presença é a mobilização de todos os professores para a compreensão da situação do aluno. A indisciplina foi resolvida quando ele percebeu isso e passou a ficar mais calmo”, avalia.

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Fonte: SBM | 20.03.2017 | mais detalhes